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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Estudantes de escola pública de Baraúna são premiados em feira internacional



Após serem destaque na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), Beatriz Dantas e Marcelo Ramalho, estudantes da Escola Estadual João Abreu de Melo da cidade de Baraúna, no Rio Grande do Norte, foram premiados na feira internacional de ciências Intel ISEF, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Pelo projeto “Madeco Sabugosa”, um tipo de madeira ecológica produzida a partir da reutilização do sabugo e da palha do milho, a dupla recebeu prêmio de US$ 3 mil, ou R$ 9,8 mil, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. O evento aconteceu entre os dias 15 e 19 de maio.

Para Marcelo, ir ao evento foi a concretização de um sonho. “Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro e mesmo não sabendo nos comunicar no idioma deles, adquirimos muito conhecimento. Foi uma satisfação poder representar meu país e minha cidade, Baraúna. Além disso, pude levar o nome da minha família, dos meus pais que são pessoas tão batalhadoras”, disse.
Sua companheira de projeto, Beatriz, disse que nenhuma palavra seria capaz de definir a emoção daqueles momentos. “Foi uma experiência única. Ir aos Estados Unidos para representar nosso país, nosso estado, cidade e nossa escola é algo maravilhoso. É algo tão diferente em nossas vidas que ainda não consigo descrever a sensação”, afirmou.

A professora Priscilla Gurgel, que orientou o projeto, contou que a trajetória dos jovens começou há um ano, na feira de ciências da escola. O projeto dos estudantes foi um dos selecionados para a etapa seguinte e aprovado para a feira de ciências da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), onde receberam a credencial para a Febrace.

“Foi uma vitória muito grande, um feito inédito na cidade. A intenção não era só beneficiar Marcelo e Beatriz, mas que isso tivesse uma expressão a ponto de motivar professores e outros alunos”, disse a professora. “Lá eram mais de 300 projetos dos alunos das melhores escolas brasileiras. Foi muito importante. E lá, conseguimos ser selecionados para a feira internacional”, explicou.


Segundo Priscilla, Beatriz e Marcelo sempre foram bons alunos. “Eu já sabia que um dia eles entrariam na universidade. São jovens da zona rural, moram num local afastado da cidade, mas em nenhum momento pensaram em desistir do projeto. São alunos maravilhosos e perseverantes. A ideia foi deles, o protagonismo é todo deles. Meu único papel foi abrir os caminhos para que eles fizessem o que já sabiam fazer”, declarou.

Abertura de horizontes
Para a professora Priscilla Gurgel, a iniciação científica é um passo importante para os estudantes. “Muitas vezes o aluno está aprendendo coisas que não sabe como aplicar. Quando esse conhecimento passa a ser aplicado as portas se abrem e o resultado é esse”, afirmou. “Eu nem sei se esses meninos sabem descrever o que viveram. Foi uma abertura de horizontes”, disse.

“Sempre trabalhei com meus alunos como se todos os dias pudéssemos alcançar alguma coisa. Continuo estimulada a trabalhar, dar novos horizontes para todos os meus alunos. Minha honra é profissional. Não ganhei nada material, mas ganhei um estímulo maior, para continuar acreditando na nossa Educação”, declarou a professora.

Experiência
A Intel ISEF é a maior feira científica do mundo e, na mais recente edição, participaram alunos de 78 países. Segundo Priscilla, foram mais de 1.400 projetos de mais de 1.700 estudantes. “Era um cenário muito difícil para um nordestino da zona rural de Baraúna, sem tecnologia de ponta. Existiam coisas lá que nós nunca havíamos visto aqui no Nordeste. Quando chegamos que nos deparamos com aquela realidade, ficamos assustados”, disse.

Priscilla informou que Marcelo e Beatriz passaram por um treinamento para apresentar o projeto em inglês e também passaram por uma banca de avaliadores específicos. “Ser premiado é muito difícil e muito honroso. Numa escala maior, a Educação do RN ganha com isso e numa escala menor, todos da nossa escola”, disse Priscilla.

Madeira ecológica
O projeto desenvolvido, "Madeco Sabugosa", é uma madeira ecológica oriunda principalmente da reutilização do sabugo e da palha do milho, com boa resistência, alta capacidade de impermeabilidade e viabilidade de produção.


O material foi desenvolvido com o objetivo de reduzir o desmatamento, ao oferecer uma alternativa à madeira tradicional, e, por outro lado, de reaproveitar os resíduos provenientes do milho, que muitas vezes acabam queimados, servindo de pastagem ou descartados no campo de plantação.

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